Foi essa semana que eu me descobri subitamente um... mulherão.
Acordei com o sol incendiando o quarto, me expulsando da cama menos por vontade e e mais por calor.
Escancarei a Janela do banheiro e deixei a luz brincar pelo meu corpo enquanto enxaguava o cabelo.
Passeei de toalha pela casa depois do banho, escolhi vestir uma das minhas saias leves para combinar com a temperatura absurda para aquela hora da manhã.
Apoiei o pé no vaso sanitário, arrumei as minhas unhas, tirei o esmalte antigo, cortei.
Feito isso, foi a vez de passar para as pernas, que escondidas pelas calças compridas, estavam sem cuidado a algum tempo.
Largada a toalha no chão, foi a vez de me armar de lâminas de barbear e sabonete cremoso, colocando com muito pouco cuidado o pé dentro da pia.
Ensaboei as pernas, e estava quase chegando no joelho que me dei de cara com a minha própria cara no espelho na miha frente.
O cabelo, já quase seco com a demora para escolher a roupa, fazia cachos caprichosos em volta do meu rosto. Á muito tempo não tinha esse castanho claro, alaranjado, cor que passou os dois últimos anos escondida por tinturas esporádicas.As bochechas rosadas, os ombros largos, os seios redondinhos, tudo apoiado sobre a perna dobrada na pia.
Me encarei por um bom tempo, sem entender muito bem, por que me sentia tão dona de mim, ali, às oito e meia da manhã, com o Cartola cantando nas caixas de som "...era o que faltava em mim, uma esperança fraca...", O sol brincando pelos azulejos azuis, a minha sobrançelha por fazer, a minha boca num meio sorriso, minhas mãos empunhando uma gilete, a depilar as panturrilhas não mais tão musculosas quanto costumavam ser.
Me descobri... um mulherão de 1.65m.
Ouvindo, Cartola, Divina Dama: Eu dançei com você, divina dama, com o coração queimando em chamas..