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Escola de Atenas




Sábado, Janeiro 27, 2007

Quando era pequena, tinha a impressão que nunca teria o tamanho dos meus pais.
Eles pareciam tão grandes, inatingíveis e dignos de louvores que seriam, no meu imaginário, sempre altíssimos.
Com o passar do tempo, e o meu crescimento de alguns centímetros, eu comecei a fazer por mim mesmoa várias coisas que só seriam possíveis com a ajuda deles:

Abrir o registro do chuveiro, ler sem a ajuda deles, ligar a Tevê, alcançar as frutas em cima da mesa, conseguir colocar água num copo sem derrubar e mais um monte de pequenas conquistas que, na época, pareciam desafios insuperáveis.

Mas foi no dia em que consegui, sem a ajuda de ninguém, abrir um pão francês que eu percebi que mais cedo ou mais tarde seria como eles.
Minha família sempre teve a tradição de sentar-se a mesa não para almoçar ou jantar, mas sim para tomar café da manhã. Nesses cafés da manhã, quando éramos pequenas, meus pais realizavam o ato que eu considerava um marco adulto: Abrir um pão francês com uma faca afiada sem se cortarem. Eu, ao contrário, já havia desistido de tentar, muitos cortes depois.

Os meus pais, ao serem os únicos que poderiam cortar o pão, eram os responsáveis por dizer qual das irmãs começaria a comer primeiro, quem escolheria a melhor fatia de queijo e quem teria que esperar pela sua vez de passar geléia. Esse pequeno ato de autoridade nos separava. Meus pais podiam escolher ; eu e as meninas somente esperar até que essa operação se encerrasse.

Mas foi aí, quando comecei a aprender a me alimentar sozinha, que eles começaram a perder o controle sobre mim : Comecei até a achar que seria capaz de fazer a minha prória comida.

Rabiscado por Mariana às 2:09 PM
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Segunda-feira, Janeiro 22, 2007

E aí, se pensa que poderia ter feito um bando de coisas de maneiras diferentes:

Amado menos do que amou, desejado uma quantidade menor de filhos, um casamento com uns 200 convidados a menos e não ter arrancado uma página da revista de noivas da mãe porque não queria que ninguém se casasse com o vestido que entraria em uma pequena capela no campo, às nove da manhã, fresca e doce para dizer que o amaria eternamente, ao som daquela música que tinha guardado só para ele. Provavelmente também não teria escrito o discurso que faria na hora do brinde, em que diria a ele que todas as vezes que disse que não queria ter uma família, filhos ou casamento era uma reles tentativa de mentir para ela mesma que não precisava de ninguém, mas a prova de que era só dele que ela precisava era que ali, na frente de todas as pessoas que gostava e com quem se importava ela queria dizer que fora só quando o vira pela primeira vez que começara a pensar que poderia ser forte o suficiente para dividir-se e entregar-se a alguém de verdade, e havia dito a isso às desconhecidas que sentavam ao seu lado.

Poderia ter feito menos planos, escrito uma quantidade menor de cartas que não deveriam para ser entregues até completarem 50 anos de relacionamento, e que para que chegassem inteiras até lá estava guardando tudo em uma pasta, junto com as fotos que roubara dele e que ilustravam o dia-a-dia que ela acreditava ser a única coisa que desejara até então.
Provavelmente teria se submetido menos aos seus caprichos e não teria deixado de ser a Senhorita-sem-coração propagada por alguns para se tornar, gradualmente, só mais uma garota apaixonada perdidamente por alguém que todos consideravam médio, até que ela abria a boca para contar todas as maravilhas que a fazia enxergar, e então se tornava um príncipe dono de um fusca-azul-calcinha e com um sorriso, que, de tão secreto, só ela conhecia.

Teria deixado também de não odiar cachorros (só por que ele gostava), de aceitar assitir filmes infantis, de ação, dublados ou qualquer idiotisse do tipo, mesmo tendo batido o pé desde os 14 anos para não ser obrigada mais a assitir essas bobagens, só porque era o que ele considerava um filme assistivel.
Deixaria também de aprender a mexer na wikipédia só para impressioná-lo, de ler sobre linux e cultura internética para fazê-lo sorrir e de fingir que gostava de vê-lo programando, só porque um dia ele dissera que seu sonho era tê-la do lado enquanto fazia isso.

Teria aceitado um número menor de ofensas da sua família e da família dele, teria virado as costas de maneira imperiosa e para sempre no dia em que ele ousara ser agressivo e não teria, nunca, aceitado assistir um filme da disney, dublado e com personagens idiotas só para poder segurar a mão dele, ignorar completamente o que poderia estar passando na tela e passar 1 hora e 45 minutos repetindo mentalmente a mesma ladainha de "Por favor, meu deus, que dessa vez a gente dê certo, que eu seja menos ciumenta, que ele seja menos possessivo, que eu saiba dividir o meu tempo para que eu sempre possa vê-lo sorrindo, que eu não pense nunca que ele é bobo porque chora na minha frente que ele nunca pense que eu sou feia, que ele nunca se apaixone por outra pessoa porque se nós nos separarmos eu não terei mais nada a dar pra qualquer outro, porque todos os meus desejos, planos e todo o amor que eu tenho, tudo isso é dele, que ele nunca repita de ano na faculdade, que eu nunca levante a voz pra ele, que a gente nunca mais brigue, que todos os dias possam ser perfeitos e que nós resolvamos qualquer desentendimento muito rápido para que eu possa pular no abraço dele e dar um beijo de reconciliação porque é quando nos reconciliamos que ele sorri com o solhos daquele jeito que ele faz e que faz com que eu acredite que ele é tudo que eu quis pra mim, que a gente dê certo, que eu seja menos ciumenta e blábláblá".

Não teria adquirido o hábito de entrar na capela da faculdade só para ajoelhar e falar, meio sem jeito e todos os dias, para o deus que deveria estar ali que, por favor, sempre os mantivesse juntos porque ela não suportaria não saber se ele estava se alimentando bem, dirigindo sempre sóbrio e usando roupa de frio quando o inverno chegasse, estivesse escovando os dentes, cuidando das unhas e comendo menos manteiga, por que ela sabia que ele ia acabar tendo um infarto de tanta fritura que ele come.
Não estaria esperando o Dia dos namorados para comprar um par de sapatos novos porque os dele estavam verdes ao invés de pretos e que o inverno chegasse logo para que comprasse um outro tricô, afinal, ele havia perdido o lindo suéter que custara todo o vale do dia 1º e ele não tinha muitas roupas de frio.

Deixaria de pensar que em 20 anos estaria morando numa casa com jardim, usando um lindo tricô que ela mesmo teria feito e passaria os dias escrevendo e traduzindo poesia para que pudesse cuidar da casa grande e cheia de crianças e um casal de labradores na qual ele chegaria todos os dias, faria o jantar para toda aquela gente, e que sorrindo colocaríam as crianças para dormir o mais rápido possível para que pudessem arrancar as roupas e entregarem-se um para o outro naquele amor desenfreado e desajeitado que sempre causava acidentes físicos,e que caindo da cama e escorregando pela parede em que ele insistia para que ela se apoiasse, explodissem um tampando a boca do outro para que as crianças não ouvissem o quão felizes eles poderiam ser mesmo depois de tanto tempo juntos.

Se não tivesse feito isso, talvez não estivesse catando os pedaços do que sobrou quando o conto-de-fadas chegara a o fim entre choro de um, alívio de outro e uma tristeza que, dessa vez, por mais que os planos fossem extremamente específicos quanto a isso, não poderiam mais ser divididos com ele, como todo o resto.

Rabiscado por Mariana às 12:39 AM
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Sexta-feira, Janeiro 19, 2007

Tanto tempo pra pensar
Eu tentando consertar a nossa história
Mas sem a sua ajuda, não aconteceu


Acontece que se fosse esperta
E desse tempo ao tempo
Não seria assim
Sugando tudo o que tenho de forças
Eu ja não estou querendo mais você pra mim

Infelizmente é assim
Termina-se uma história
Que a gente mal começou
Se tomasse cuidado com meus sentimentos
Talvez meu coração ainda fosse seu


Esse final não me agradou
E o nosso entendimento
Não aconteceu
Eu que lutei um dia pra te ter ao meu lado
Agora eu te confesso
Quem não quer sou eu


Fui eu quem te dei
O primeiro beijo
O primeiro toque
A primeira canção
Se realmente quer ficar comigo
Não faz bola de meia com meu coração

Rabiscado por Mariana às 1:14 AM
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Quarta-feira, Janeiro 17, 2007

O que fazer em caso de filha-da-putisse:


a) Chutar a boca do desgraçado e fazê-lo agonizar na sua frente;
b) Trocar a senha do orkut dele, do e-mail e apagar os seus arquivos virtuais;
c) Espalhar para o círculo de amizades dele quantas vezes ele brochou;
d) Chorar que nem uma condenada, gritar com todo mundo e tentar o suicídio;
e) Agir como uma lady depois de realizar pelo menos duas das opções acima

Rabiscado por Mariana às 5:12 PM
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