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Escola de Atenas




Quinta-feira, Junho 21, 2007

Dizem que o outono é a estação da rinite, do morango e das inversões térmicas desesperadoramente rápidas.
Outono pra mim é a melhor estação do ano.

A única estação do ano que se pode tomar sorvete sem medo que ele derreta demais ou congele a sua boca, a melhor estação para piqueniques no Ibirapuera, a época perfeita para se andar por São Paulo, já que a cidade fica coberta de Ipês floridos em seus tons fortes e seus tapetes de pequenas flrozinhas no chão, é o tempo perfeito para ler de tarde, as tardes de outono são longas, modorrentas e frescas, com um vento gelado e um sol que aquece levemente a nossa pele, e brilha, brilha iluminando as folhas claras do papel.

Outono em São Paulo é sempre um mistério. Pode-se usar o armário inteiro num único dia, ou passar semanas de camiseta e shorts, só esperando pela mudança de temperatura. É entre Maio e Junho que todos mundo que mora aqui vira metereologista: "Esse vento pra lá é que vai chover", "Se tiver lua no céu e estrelas bem brilhantes de noite é que no dia seguinte vai ter sol", "Quando as nuvens estão assim é que vai ficar nublado amanhã", e outras bizarrices.

Mas o bom mesmo são os dias clássicos de outono:
Os dias em que o frio é grande, e, para sair da cama, só depois de três doses de coragem e uma de loucura; que você se agasalha, se entoca e se cobre de estofamentose mesmo assim passa frio o resto do dia... e que dia! Aqueles dias ensolarados, que o sol chega dói nos olhos. Que o vento passa assoviando e esfriando os pés, e o sol arde no rosto.

Minha mãe conta que eu nasci num dia desse.
Que ela passou frio a madrugada inteira na sala de parto, e quando eu nasci o sol já aparecendo. O sol mais frio que ela já viu. que tinha geado a noite, e que a grama do quintal tinha amanhecido coberta de cristaizinhos de gelo que sumiram tão magicamente como eles havia chegado, assim que o dia chegou por completo.

O outono é o sinal do meu aniversário, das mixiricas, das festas de São João e da inalação.
Esse ano, mais do que nunca, é o sinal de uma vida nova que caiu das folhas do ipê.

Rabiscado por Mariana às 12:18 PM
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Domingo, Junho 03, 2007

-Correndo por que, vaquinha? Vai encontrar um macho?
O grito soou altíssimo no meio da multidão que ia, como em qualquer outro dia, em peregrinação para o metrô lotado. A mulher a que a ofensa de dirigira parou e, por dois segundos, o mundo ficou em suspenso; Ninguém soube qual seria sua reação.
A dúvida durou pouco: A mulher, num único movimento, voou para cima do velho que havia dito tal absurdo, largando a enorme bolsa no chão e parecendo estar descalça, ao invés de estar encarapitada em um salto altíssimo.
-O quê!?- Disse ela, com um berro a pouco menos de cinco centímetros do rosto do ignorante- Repete, seu idiota, repete- continuou ela, de maneira insana.
Ninguém mais se movia, e, iniciou-se um burburinho de rumores das razões da discussão. Ouvia-se que era por que ela tinha pisado no pé dele, dizia-se que ela havia esbarrado no velho com a bolsa. A resposta veio mais rápida, cortando meus devaneios na forma de um berro que ecoou pelo vale do Anhangabaú:
-... Se você não ouviu as minhas desculpas, sinto muito. Mas eu pedi e não aceito esse desrespeito. Repita, Repita se você é homem...
-Vaquinha!- repetiu o homem em voz incerta, talvez por que a raiva da mulher era palpável até para mim, a alguns passos atrás do velho, e sua expressão de ódio era uma máscara para um rosto delicado.
Fui num átimo de segundo, e o tapa soou estralado. O barulho daquele tapa carregava a vergonha da ofensa, e toda a raiva da persistência do insulto. A mão dela continuava a descer, e demorou um pouco mais que o necessário para alguém segurá-la, e impedir que a agressão continuasse. Talvez todos em volta, assim como eu, desejassem ver aquela mulher acertá-lo no orgulho.
A turma do chega - disso entrou em ação e em pouco tempo os dois se perderam na multidão, um resmungando de um lado e outra com vergonha do outro. O som do tapa não. Esse continua no meu ouvido, porque o estralo foi o som do meu ego reconstruído de todos os desrespeitos que já passei por ser mulher.



Momento post it: Infelizmente, tudo que está aí é real, e para piorar, eu não estava assistindo: fui eu quem deu o tapa. Tropecei (em cima de uma bota linda de salto agulha nº8) em um idiota, e, pedi desculpas, correndo em seguida pra encontrar meu primo, que caminhava um pouco mais à frente. O resto é história. Quem me conhece sabe que e sou absolutamente incapaz disso... mas não pude me controlar. acho que está na hora de entrar pra terapia... ¬¬

Ouvindo marvin Gaye, I want you: "...I want you, but i want you to want me..."

Rabiscado por Mariana às 3:22 AM
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